A ‘novilíngua’ de Toffoli
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A ‘novilíngua’ de Toffoli

No dicionário do presidente do STF, transformação é sinônimo de permanência, prudência significa leniência e paz quer dizer tranquilidade para político suspeito dormir em paz sem medo de ser preso

José Nêumanne

14 Setembro 2018 | 11h30

Na posse no STF, Toffoli homenageou irmão de sangue ao lado de irmãos de casta. Foto: Dida Sampaio/Estado

Ao assumir a presidência do STF por dois anos na presença dos presidentes dos outros dois poderes, o ministro Dias Toffoli disse que “não estamos em crise, mas em transformação”, e prometeu “prudência” e “paz”. Juntando as três promessas, vemos que ele se dispõe a sacramentar o acordão da impunidade para colegas e políticos comprometidos no combate à corrupção do Executivo e do Legislativo, o Brasil que não está em crise e, para cuja elite de privilegiados, prudência é sinônimo de leniência, paz é dormir sem risco de ser apenado e transformação passou a significar o contrário do que dizem os dicionários: permanência.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – de sexta-feira 14 de setembro de 2018, às 7h30m)

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Abaixo, os assuntos para o comentário da sexta-feira 14 de setembro de 2018

 

1 – O que o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, quis dizer ao afirmar, em seu discurso de posse, que não vivemos um momento de crise, mas de transformação, e o que você tem a dizer sobre isso que ele disse?

STF 1409 C RENATO RUSSO

 

2 – Você considera um bom presságio o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, anunciar que vai trabalhar pela harmonia de todos os poderes neste momento em que os tais poderes se engalfinham entre si e o próprio STF está muito longe de produzir consensos?

 

3 – Comenta-se a boca pequena em Brasília que, antes de assumir a presidência da mais alta corte do País, esse mesmo ministro Dias Toffoli confidenciou a muitos interlocutores que sua prioridade será melhorar a imagem da instituição na sociedade. Esta é uma prioridade relevante e será, a seu ver, uma missão possível?

 

4 – Que sinais de fumaça o ministro Dias Toffoli emitiu, antes de assumir o posto mais alto da Suprema Corte, ao suspender a ação aberta pelo juiz federal Sérgio Moro contra o ex-ministro da Fazenda dos governos do PT de Lula e Dilma, aos quais ele mesmo serviu, Guido Mantega e o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, transferindo-a para a Justiça Eleitoral?

 

5 – Quais são as perspectivas do julgamento virtual, que hoje se encerra, do recurso da defesa de Lula contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, tomada em abril, de lhe negar o habeas corpus pedido mesmo colegiado?

 

6 – Em que o pronunciamento feito em Curitiba pelo general Hamilton Mourão, vice na chapa de Jair Bolsonaro, do PSL, na eleição presidencial, defendendo uma reforma da Constituição a ser feita não por cidadãos eleitos pelo povo, mas, sim, indicados pelo presidente a ser eleito em outubro em processo a ser iniciado em 25 dias, favorece às pretensões de vitória eleitoral de seu parceiro?

 

7 – O que você acha do súbito ressurgimento em cena do nada do senador Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB, para declarar, em entrevista exclusiva ao Estado de S. Paulo, que apoiar o governo de Michel Temer foi o maior dos erros cometidos por seu partido por ele listados?

 

8 – O que você destaca na edição desta semana da série Nêumanne entrevista, editada desde ontem em seu blog, com o professor da USP, Cambridge, Universidade da Flórida e Universidade de Lisboa José de Souza Martins, também membro da Academia Paulista de Letras?