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A lei do malandro

Cerveró diz que Dilma era sua amiga e o "sacaneou". Ela prejudicou toda a Nação e nunca foi amiga de ninguém.

José Nêumanne

07 de junho de 2016 | 10h59

 

Terça-feira 7 de junho de 2016

O Brasil assusta, mas não pela surpresa e, sim, pela maneira como sempre confirma o que havia antes e só se repete numa espécie de moto contínuo se esparramando na lama de chiqueiros sem fim. Como a Grã Bretanha, temos uma constituição informal que norteia nossos hábitos e nossos conceitos, que não se baseiam em normas do direito, mas sempre em cânones da malandragem. O noticiário recente nos trouxe dois absurdos exemplos disso. Vi e ouvi na televisão o rato Cerveró queixar-se de a ratazana Dilma tê-lo sacaneado no episódio da compra da refinaria “ruivinha” de Pasadena. Ela, é claro, disse que nunca foi nem será amiga dele. De fato, Dilma não sacaneou o antigo sócio de seus companheiros de partido e de governo no escândalo, mas toda a Nação, principalmente as vítimas de seu desgoverno: trabalhadores pobres desempregados, empresários remediados, de classe média ou abonados que fecharam seus negócios, o contribuinte em geral. Tudo, para o delator premiado, não passou de uma ação entre amigos. Ele pensava que ela era amiga, o que mostra como o imbecil é cínico, porque todo mundo sabe que Dilma não é amiga nem da mãe, assim como a Dilma mãe é feroz inimiga da filha. Essa estupidez é pequena, se comparada com a aceitação do princípio atribuído aos malandros na cultura popular brasileira de que não é feio roubar, mas ser apanhado e punido pelo roubo. Ou seja: tudo venha a nós e ao vosso reino foda-se! Mais grave ainda é isso passar despercebido pela grande multidão inerte, passiva e sofredora. Assim como a declaração atribuída a Delcídio Imoral, segundo a qual a “presidenta” afastada é a grande culpada pela revelação do escândalo – o que é verdade e talvez seja a única coisa positiva que nossa “Mãe Coragem” fez pelo País em toda a sua vida de guerrilheira, militante do PDT e do PT e “governanta” da Nação. E Lula, coitadinho, a “grande vítima”, que “não merecia isso”. Esse calhorda ainda quer nos impingir a imagem do santinho transviado por amigos malfeitores! Tenha a santa paciência! Não é fácil se segurar com um purgante desses!

Diante do exposto, só almejo a nós, vítimas que não entregamos os pontos, muita força nesta terça.

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