A escolha de Janot
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A escolha de Janot

Quanto mais explica prêmio exagerado para Joesley delatar Temer menos Janot convence

José Nêumanne

18 de julho de 2017 | 11h53

Em Nova York, Janot até tentou explicar-se, mas de novo não convenceu Foto: Wilson Center

Janot deu com os burros n’água ao tentar justificar a injustificável premiação de Joesley Batista na delação de Temer. O MPF é uma instituição que está sendo contestada por causa dela. A menos de dois meses de deixar o cargo, ele ajuda a demolir o prestígio dos procuradores da Lava Jato com sua decisão que fica parecendo ou ideologia ou vontade de se aposentar com a glória de um grande feito. Joesley é chefe de facção e não podia delatar. Se criminosos como ele tiverem condição de impor sua própria pena, é o fim do Estado de Direito. Também falta explicar como pode ter acumulado uma fortuna tão grande apenas conversando sobre temas republicanos com Lula, Dilma e Luciano Coutinho,

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na terça-feira 18 de julho de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra do comentário degrvado:

 

18 de julho de 2017 – Terça-feira

 

O parecer sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer não Foi lido no plenário da Câmara ontem, por falta de quórum. Como o Congresso  entra em recesso hoje, a leitura só poderá ser feita a partir de 1º de agosto, quando os parlamentares retomam as atividades legislativas. Em que isso muda a história contemporânea do Brasil?
Para que a sessão desta segunda-feira fosse aberta e a denúncia contra Temer, lida no plenário, era necessário que pelo menos 51 dos 513 deputados registrassem presença. No entanto, somente 14 parlamentares registraram presença na Casa hoje, impossibilitando a abertura dos trabalhos.
Após ser lido no plenário, o parecer da denúncia será publicado no Diário Oficial da Câmara. Com isso, a previsão é de que seja votado no dia seguinte, 2 de agosto. Para que a denúncia seja aceita, são necessários votos de 342 deputados. Caso ela seja aceita pela Câmara, o Supremo Tribunal Federal (STF) também ainda terá de decidir se aceita ou não. Se aceitar, Temer se tornará réu e será afastado do cargo por 180 dias.
Governo e oposição não têm interesse nenhum em resolver o impasse em que se meteram, pois estão tratando de garantir o terno para a próxima posse, não para assegurar o emprego de 14 milhões de brasileiros que perderam a honra, deixando de trabalhar. Deputados querem distritão (manchete do Estadão), 4 bilhões de Fundo Partidário e outras benesses.
O procurador-geral da República Rodrigo Janot disse ontem nos Estados Unidos que ‘não tem pressa’ em apresentar uma nova acusação ao presidente Michel Temer no caso JBS. De que ele está falando se a primeira denúncia, por corrupção passiva, ainda patina no plenário da Câmara?

A nova denúncia poderá atribuir ao presidente crime de obstrução de Justiça. Como você mesmo disse na p°rgunta primeira, que imputa corrupção passiva a Temer, patina na Câmara, única instância que pode ou não autorizar abertura de ação penal contra o presidente.

SONORA 1807 C JANOT
“Se até o último dia do meu mandato houver provas não vou deixar de cumprir meu ofício e vou apresentar uma nova denúncia”, afirmou Janot, em palestra nos Estados Unidos, nesta segunda-feira, 17.
Nos Estados Unidos, onde participou de evento no Woodrow Wilson Center, em que falou sobre o uso dos acordos de colaboração premiada na promoção de Justiça e do Estado de Direito no Brasil, Janot tentou explicar os motivos que o levaram a aliviar plenamente a situação do empresário Joesley Batista, da JBS, que delatou o presidente Michel Temer como suposto beneficiário de propinas do grupo.
Conforma a história que ele contou, ‘agentes do Ministério Público’ receberam a denúncia de Joesley, atualmente residindo em Nova York com a família. O empresário, segundo Janot, exigiu imunidade total em troca da munição de que dispunha contra o presidente. “Sopesei o interesse público”, afirma Janot.
Ele reconheceu que “a grande polêmica que se tem hoje no Brasil é a concessão de imunidades a pessoas ricas, que moram aqui em Nova York, não moram no Brasil já há algum tempo. Essas pessoas (Joesley e outros executivos da JBS) procuraram agentes do Ministério Público para oferecer a possibilidade de um acordo penal. E envolviam altas, altíssimas autoridades da República.”
Segundo o procurador, sua primeira reação foi. “Foi dizer, ‘isso é mentira, não acredito que isso esteja acontecendo, não pode acontecer, depois de três anos e meio da Lava Jato, com esses números (de prisões e condenações), é inacreditável que a prática continue aberta.”
Janot contou que os delatores da JBS exibiram, então, algumas gravações ’em que realmente comprovavam ali o cometimento de crimes desses altos dignitários da República’. Joesley gravou conversa com Temer na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu. O diálogo mostra que o empresário contou ao presidente práticas criminosas, inclusive o pagamento de mensalinho a um procurador da República, Ângelo Goulart, que está preso, e propinas de Eduardo Cunha – detido na Lava Jato desde outubro de 2016 – em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara.

A história não bate com a primeira versão que ele contou, segundo a qual as gravações foram feitas numa ação programada com PF e MPF.
“Posso afirmar que uma investigação desse tamanho não chegaria onde chegou se não fosse esse poderoso instrumento da colaboração premiada, alguém de dentro nos ajuda a entender a estrutura de uma organização criminosa.” Se toda investigação penal fosse levada desse jeito pelo MPF, as prisões se esvaziariam e estaria resolvida a tragédia prisional brasileira.

Minha avó dizia que quem não pode com o pote não põe a rodilha na cabeça. Vale para o caso. Se o MPF não tinha condição de resolver o crime, não devia ter exposto a instituição, o instituto da delação premiada e o trabalho da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba a esse desgaste todo.

O MPF é uma instituição que está sendo contestada por causa da delação exageradamente premiada e a menos de dois meses de deixar o governo, Janot ajuda a erodir o prestígio dos procuradores da Lava Jato com sua decisão que fica parecendo ou ideologia ou vontade de se aposentar com a glória de um grande feito. Joesley é chefe de facção e não podia delatar. Se criminosos como ele tiverem condição de impor sua própria pena, é o fim do Estado de Direito. E ficou faltando explicar como pode ter deixado de ser um marchante qualquer de Anápolis e se tornar o maior produtor e vendedor de proteína animal do planeta conversando sobre temas republicanos com Lula, Dilma e Luciano Coutinho, até porque nenhum deles jamais teve o hábito desse tipo de papo. Janot Javou pensa que engana os bestas, mas nem sempre engana todos os bestas. E o mesmo comentário serve para Fachin e os 11 colegas que os avalizaram.
O Brasil abriu 9.821 vagas de emprego formal em junho, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. Enfim, uma boa notícia no meio desta crise?

O resultado decorre de 1.181.930 admissões e 1.172.109 demissões. Esse foi o terceiro resultado positivo seguido e o primeiro  positivo para o mês desde 2014.  O dado ficou dentro das estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde fechamento de 12.500 vagas a abertura de 50.000 postos, com mediana positiva em 21.150 vagas.
No acumulado do primeiro semestre de 2017, há uma abertura de 67.358 postos de trabalho com carteira assinada. Nos 12 meses até junho, há fechamento de 749.060 vagas.

A notícia é alvissareira, mas está muito longe de ser definitiva. Basta comparar o número das vagas criadas com o total dos desempregados. A pinguela não ultrapassou nem a margem do abismo. Tentar pintar a situação como ruim é leviano. Comemorar como se fosse um grande feito é uma irresponsabilidade. Temos que ficar no meio termo. No momento, é o que temos a comentar: saudar a boa notícia e perseverar na perseguição a outras que venham complementá-la.

SONORA 1807 TEMER

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, afirmou ao Broadcast do Estadão que o governo não tem espaço fiscal para absorver as mudanças feitas pelo deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) no texto do novo Refis. E daí o que pode ser feito?

Na última sexta-feira, em evento no Rio, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que as receitas com o Refis, nos moldes do relatório, ficariam “bem baixas”, próximas a R$ 1 bilhão. Um levantamento do impacto feito pela área técnica do Ministério da Fazenda e obtido pelo Estadão/Broadcast revelou um estrago ainda maior: a arrecadação prevista para 2017 pode passar de R$ 13,3 bilhões para apenas R$ 420 milhões.
“Não é questão de boa ou má vontade. Não existe espaço fiscal para absorver uma perda extra de R$ 12 bilhões com Refis. A gente tem uma meta para cumprir”, disse em entrevista no Rio. Ele reafirmou que a meta fiscal para 2017 está mantida em déficit de R$ 139 bilhões
Mansueto disse que agora é uma questão de negociar com o Congresso. “Já foi feito um corte muito grande no Orçamento. A gente não pode ter mais surpresas do lado da arrecadação”, destacou.
A irresponsabilidade recorrente de Newton Cardoso Júnior mostra que a relação do governo com o Congresso não é o mar de rosas que Temer descreve e está longe de sê-lo. Como se dizia nas greves do ABC dos 80 que cobri pro Jornal do Brasil, a luta continua, companheiros. Estou do lado de Mansueto, que faz o diagnóstico certo e contra as iniciativas de pedradores como esses reprsentantes da velha política da República.
Valor Econômico publicou reportagem preocupante, intitualda “Mediações da Oi não avançam”.  Você, que tem falado nisso há tanto tempo e alertado para esse tipo de desfecho, pode nos adiantar por quê?
Porque os acionistas da Oi se recusam pagar a divida da empresa com a Anatel de R$ 20 bilhões. A ideia de Kassab e Juarez Quadros (presidente da Anatel), era de trocar essas dívidas por investimento, como venho denunciando.  A União, Kassab e Guadros não podem doar bens publicos (nossos)  e muito menos cancelar dívidas. Esse assunto está rolando desde o início de 2017, quando na calada da noite essa maracutaia com o nosso dinheiro foi aprovada por uma Comisão do Senado.  Essa benesse só não foi aprovada por uma liminar do ministro Luís Roberto Barroso. Muito bem! Mas não desistiram nem tão cedo parece que vão desistir. O que a União e a Anatel tem de fazer é cobrar essa dívida da Oi e se não pagarem, assumir a empresa via intervenção e vende-la para quem possa pagar os credores e investir. Mas o governo insiste em onerar o contribuinte em benefício de quem especulou e arriscou e agora não quer responsabilizar-se pela especulação e pelo risco.

SONORA Guerreiro menino Gonzaguinha Fagner

https://www.youtube.com/watch?v=ZKiXBHUpfVc

 

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