A escabrosa compra da vacina indiana

Bolsonaro participou pessoalmente da compra de imunizante Covaxin intermediada pelo atravessador da Precisa com sobrepreço de 1.000%, resultando em despesa de R$ 1,6 bilhão em plena crise econômica

José Nêumanne

22 de junho de 2021 | 17h42

A Covaxin, desenvolvida com o estatal Conselho Indiano de Pesquisa Médica, ciustou R$1,6 bilhão com sobrepreço absurdo de 1.000% e interferência pessoal de Bolsonaro Foto: Jaipal Singh/EFE

Julia Affonso revelou no Estadão que documentos do Itamaratty entreguea à CPI da Covid do Senado mostram que o governo comprou a vacina indiana Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pelo laboratório. Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto de 2020, a que o Estadão teve acesso, informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha o preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose). Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia “custaria menos do que uma garrafa de água”. Em fevereiro de 2021, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) – a mais cara das seis vacinas compradas. Para o senador Renan Calheiros, relator da CPI, o caso é escabroso. E é.

Assuntos para comentário da terça-feira 22 de junho de 2021

1 – Haisem – Governo compra vacina indiana por preço 1.000% mais alto – Esta é a manchete da primeira página da edição impressa do Estadão de 22 de junho de 2021. Existe alguma forma de justificar ou contemporizar com um absurdo dessa monta

2 – Carolina – Pressionado por pandemia e atos, Bolsonaro xinga a imprensa – Este é o título de uma chamada no alto da primeira página do jornal desta terça-feira. O que será, a seu ver, que tem piorado tanto o humor do presidente da República, que normalmente já é muito enfezado

3 – Haisem – Sem estoque, cidade de São Paulo para vacinação hoje – Este é o título de uma chamada de primeira página do Estadão de hoje. O que explica a volta do acaba, para, espera e volta da imunização no décimo quinto mês da pandemia e seis meses após a primeira aplicação

4 – Carolina – Para ampliar a isenção do Imposto de Renda, governo quer taxar dividendo – Esta é outra chamada do alto da primeira página do jornal do dia.O que dizer desse cumprimento de uma obrigação com aumento da carga tributária

5 – Haisem – Câmara autoriza privatização da Eletrobrás – Este é o título de mais uma chamada de primeira página no Estadão que está circulando. Você diria que essa seria uma vitória da economia liberal de Paulo Guedes na crise econômica provocada pela pandemia

6 – Carolina – A infame lei da impunidade para políticos – Este é o título de seu artigo publicado no blog do Nêumanne no Portal do Estadão de hoje. Por que você usou um adjetivo tão pesado para definir um texto preparado para modernizar o combate à improbidade administrativa

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