Zelaya e a imprudência brasileira

Marcos Guterman

22 de setembro de 2009 | 00h03

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ao país e refugiou-se na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. O governo brasileiro jura de pés juntos que não sabia dos planos de Zelaya. A versão, confusa demais para que se acredite nela sem reservas, é plausível apenas se considerarmos o histórico atabalhoado do candidato a caudilho bigodudo. A escolha da missão brasileira não foi casual: o Brasil parece disposto a fazer o que for possível para restabelecer o governo de Zelaya e, ademais, buscar ajuda do Brasil é muito diferente de buscar ajuda da Venezuela chavista. A óbvia identificação de Zelaya com Chávez já lhe custou o cargo.

Do lado brasileiro, resta saber o que o Brasil ganha ao dar abrigo a Zelaya, intrometendo-se diretamente na política interna de outro país – logo o Brasil de Lula e Celso Amorim, tão orgulhoso em sua defesa da “autodeterminação dos povos”.

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