Venezuela no Mercosul: muito barulho por nada

Marcos Guterman

30 de outubro de 2009 | 00h40

A Comissão de Relações Exteriores do Senado afinal aceitou a entrada da Venezuela no Mercosul, apesar das evidências de que o modelo econômico e político chavista é frontalmente contrário aos princípios do bloco sul-americano. Isso, no entanto, é irrelevante para empresários brasileiros ávidos por um naco das oportunidades de investimento pesado na república bolivariana. E foi isso o que determinou a reversão de votos de senadores ressabiados com os efeitos da irresponsabilidade chavista sobre um Mercosul fraquíssimo e desarticulado.

A conversa do governo Lula é que, uma vez dentro do Mercosul, Chávez terá de respeitar as regras e adaptar seu discurso radical ao pragmatismo dos bons negócios. A julgar pela hostilidade de Chávez por qualquer forma de pressão externa, é mais fácil o presidente venezuelano implodir o Mercosul do que o Mercosul mudar Chávez.

De qualquer maneira, todo o barulho em torno da questão parece ser um exagero: nem a Venezuela nem o Mercosul tem o peso que a histeria em torno de Chávez faz crer. O Mercosul vive uma eterna indefinição sobre o processo de integração, graças ao desequilíbrio evidente entre os sócios – e os países menores, como o Uruguai, buscam acordos fora do bloco, num claro desprestígio. A entrada da Venezuela, uma economia frágil, centralizada e dependente do humor de um só homem, apenas intensificará essa disparidade.

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