USP: o certo, o errado e o espírito totalitário

Marcos Guterman

09 de novembro de 2011 | 18h38

A juventude é uma delícia. É a fase da vida quando somos autorizados a cometer erros, porque estamos num processo de aprendizado sobre o que é certo e o que é errado. A maioria dos estudantes envolvidos na invasão da Reitoria da USP e na confusão com a PM está nessa fase e tem o direito de fazer besteira. O mesmo não se aplica, porém, aos “estudantes” profissionais que os manobram, com escancarados objetivos políticos.

A UNE diz que “o uso da força e da truculência não é a melhor forma de agir frente ao debate”. Ora, quem usou a força e a truculência, em primeiro lugar, foram os estudantes. Invasão de prédio público é, sob qualquer ponto de vista, uma atitude violenta. Na novilíngua revolucionária da liderança desses estudantes, porém, trata-se de exercício de “autonomia universitária” e de “liberdade histórica garantida aos estudantes para se organizarem e defenderem seus princípios na busca por uma educação mais igualitária e pela justiça social em nosso país”.

Segundo essa visão, a PM, ao cumprir a lei e desocupar o prédio, prendendo os estudantes que desafiaram uma decisão judicial, na verdade cometeu crime. E os estudantes que querem apenas ter aula e que defendem a presença da PM na USP são “direitistas reacionários”. É uma inversão de valores inacreditável. Não é assim que se exercita democracia. Pelo contrário: ao embaralhar valores e estigmatizar violentamente a opinião que lhe é contrária, a liderança dos estudantes ora em greve repete o script de todos os movimentos que um dia almejaram o poder totalitário.

Por sorte, eles são minoria.

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