Uribe não é um pato manco

Marcos Guterman

29 Julho 2010 | 20h34

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, deixará o poder no próximo dia 7 com uma impressionante popularidade – mais de 70%. Logo, não é prudente considerá-lo um “pato manco”, como está fazendo o governo brasileiro.

“Pato manco” é uma expressão que qualifica presidentes em fim de mandato, que já têm sucessor definido e que, portanto, não têm mais influência política significativa. O caso de Uribe é claramente diferente, e não só por causa de sua aprovação popular, mas por ter conseguido fazer seu sucessor de modo acachapante. Os colombianos prezam muito o esforço uribista de destruir as Farc.

O próximo presidente, Juan Manuel Santos, sabe muito bem disso e, embora tenha acenado com uma aproximação com a Venezuela, ele não deverá fazer nenhum recuo na política de repressão à narcoguerrilha marxista e de denúncia daqueles que lhes dão guarida – casos de Venezuela e Equador.

Portanto, Lula está cometendo um equívoco quando sugere que o confronto entre Colômbia e Venezuela é meramente pessoal, isto é, entre Uribe e Chávez. Não: a questão é entre a maioria absoluta dos colombianos, cansados da violência das Farc, e o líder do movimento “bolivariano”, que dá apoio aos narcoguerrilheiros.

Ao esperar que a Colômbia seja mais flexível com a Venezuela na questão das Farc após a posse do sucessor de Uribe, Lula faz uma aposta que não tem amparo na realidade. A mediação da crise passa necessariamente pelo reconhecimento de que a Colômbia jamais abrirá mão de seu projeto soberano de combater os movimentos que desejam a destruição do Estado.

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