Uribe ajuda o teatro chavista na Unasul

Marcos Guterman

28 de agosto de 2009 | 15h15

Reunidos em Bariloche, os principais chefes de Estado sul-americanos discutiram durante horas sobre a presença dos EUA em bases da Colômbia. O colombiano Alvaro Uribe jurou que os americanos só estão lá para ajudar seu país a combater o narcotráfico e as Farc, o que vêm a ser a mesma coisa. Ele não só defendeu a estratégia como também reclamou que falta ajuda internacional à Colômbia e sobra ajuda de vizinhos às Farc – leia-se Venezuela e Equador.

O venezuelano Hugo Chávez, por sua vez, “revelou” o que qualificou de “documento” sobre mobilização aérea dos EUA para a América do Sul, como “prova” das más intenções inconfessáveis dos americanos em relação ao continente. O documento não é nem novo nem secreto – nem muito menos diz respeito a um plano de dominação, como Chávez deu a entender. Entretanto, isso é irrelevante para o caudilho, que usou a velha tática da desinformação para alimentar um conflito internacional, que é no momento o campo em que ele pode se dar melhor, sobretudo porque a situação econômica e social da Venezuela é crítica.

Mas a atitude de Uribe, de esconder-se sob o rótulo da “soberania” para não esclarecer a questão das bases ou dar garantias explícitas e formais, estimula o teatro chavista. Nesse contexto, não é estapafúrdia a idéia, defendida por Lula e outros, de pedir que o presidente americano, Barack Obama, fale sobre o uso das bases e seus objetivos. Só assim os ânimos serão desarmados e, afinal, a Unasul poderá se concentrar em cobrar explicações de Chávez sobre os sinais cada vez mais evidentes de sua ligação com os narco-guerrilheiros das Farc, sua ingerência em diversos países, como Honduras, Bolívia e Colômbia, e sua escalada antidemocrática na Venezuela.

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