Um prêmio eloquente

Marcos Guterman

03 de abril de 2012 | 10h00

Se o governo de Israel resolvesse condecorar os editores do jornal dinamarquês Jyllands-Posten, aquele que publicou as charges do profeta Maomé, haveria uma revolução no mundo árabe islâmico. Palestinos sairiam às ruas para exigir retratação e acusar os israelenses de “islamofobia”. Agora imagine se os palestinos resolvessem premiar uma jornalista que tenha dito que os judeus “deveriam sair da Palestina e voltar para sua casa na Alemanha, na Polônia e na América”. Pois foi exatamente isso o que aconteceu no domingo passado: a Autoridade Nacional Palestina honrou Helen Thomas, a veterana jornalista americana que terminou sua carreira de forma melancólica, graças a suas declarações antissemitas. Mandar os judeus de Israel “voltarem para casa” é ignorar a história de modo tão brutal que não é possível que tenha sido algo acidental, fruto de ignorância – afinal, como sabe qualquer ser humano razoavelmente alfabetizado, a “casa” na Polônia e na Alemanha, a que Helen se refere, é aquela em que morreram milhões de judeus. É uma ofensa cruel.

Ao premiar uma pessoa assim, os palestinos dão uma mensagem ambígua sobre sua disposição em reconhecer um Estado judeu como vizinho.

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