Um assunto sem a menor importância

Marcos Guterman

25 de julho de 2009 | 00h28


Filho de cipriotas gregos levados
pelos turcos logo após a invasão

Nesta semana, completaram-se 35 anos da invasão turca de Chipre.

Usando como pretexto um golpe de Estado pró-Grécia, os turcos ocuparam um terço da ilha a partir de 20 de julho de 1974. Os moradores da região foram expulsos pelos militares turcos por meio de saques, violência e intimidação. A Força Aérea turca chegou a usar napalm em bombardeios. Mais de 50 igrejas foram transformadas em mesquitas, cemitérios foram destruídos e a economia local foi arrasada. Cerca de 160 mil cipriotas gregos ainda estão impedidos de voltar para suas casas – são refugiados dentro de seu próprio país, em razão de uma campanha de limpeza étnica. Em contrapartida, mais de 100 mil turcos foram levados para habitar a área, de modo a criar um fato consumado. A situação se mantém assim, a despeito de várias resoluções da ONU exigindo que a Turquia desocupe a região – rebatizada de República Turca de Chipre do Norte, reconhecida somente por Ancara e pela Organização da Conferência Islâmica.

O aniversário da ocupação turca não teve nenhuma menção significativa na imprensa internacional. Também não inspirou movimentos em favor dos cipriotas, nem pedidos de boicote aos produtos turcos, ou aos acadêmicos turcos. Ninguém saiu às ruas comparando os turcos aos nazistas.

Moral da história: os cipriotas não têm um bom lobby.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.