Tempos confusos no Brasil de Lula

Marcos Guterman

22 de setembro de 2010 | 00h03

Vivemos tempos confusos no Brasil. O trabalho jornalístico que cumpre a função de fiscalizar o que se faz com dinheiro público está sendo qualificado como tentativa de golpe de Estado, nem mais, nem menos.

Os militantes mais fervorosos da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência têm tratado o noticiário sobre os escândalos no governo Lula como uma espécie de “prova” de que a imprensa é inimiga da democracia, como se os casos simplesmente não existissem, como se o relato dos fatos fosse parte de um complô para desestabilizar o governo e, por tabela, a candidatura da ungida de Lula.

A imprensa independente, que noticia os descalabros da administração pública, é acusada de agir como “partido político”, nas palavras de um presidente que, ele sim, parece ter dificuldade de entender a diferença entre ser chefe de Estado e chefe de partido. A desmoralização institucional da República, apoiada na presunção de que o popular Lula é a única entidade nacional que produz a “verdade”, é a conseqüência natural desse processo, com óbvios riscos para a ordem democrática.

Diante disso, personalidades fortemente identificadas com os ideais democráticos, como Hélio Bicudo, dom Paulo Evaristo Arns e Ferreira Gullar, resolveram assinar um manifesto que faz duras críticas ao governo Lula e sua “marcha para o autoritarismo”. Será difícil ao lulismo encontrar argumentos para incluir signatários dessa estatura na chamada “turma do contra”.

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