Soldados sírios atiram “como se estivessem caçando”

Marcos Guterman

13 de junho de 2011 | 22h58

O coronel Hussein Harmoush desertou do Exército sírio após 22 anos de carreira. Motivo: ele não suportou o grau de barbárie da repressão contra os dissidentes do regime de Bashar Assad – aquele que conta com a simpatia do Brasil contra a imposição de sanções do Conselho de Segurança da ONU. “Demorei demais para tomar essa decisão. Sinto-me responsável pela morte de cada mártir na Síria”, disse Harmoush à revista Time.

“Eu vi soldados atirando indiscriminadamente em pessoas como se estivessem caçando. Eles queimaram suas plantações, derrubaram suas oliveiras. Não houve resistência nas cidades. Eu vi pessoas em fuga sendo abatidas pelas costas”, relatou. Segundo Harmoush, a imprensa síria, controlada pelo governo, mente descaradamente sobre o que acontece no país.

Questionado sobre qual foi o pior momento de tudo o que testemunhou, o coronel não resistiu e desabou em lágrimas: “Eu apelo às pessoas de consciência, às pessoas com humanidade, por favor, ajudem o povo da Síria”.

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