Socorro não pode demorar. E presidente, pode?

Marcos Guterman

27 de novembro de 2008 | 00h09


Lula vê o desastre em Itajaí, três dias depois


Bush vê o desastre em Nova Orleans, três dias depois

Nos três dias subseqüentes à furiosa chegada do furacão Katrina a Nova Orleans, em agosto de 2005, o presidente dos EUA, George W. Bush, discursou sobre o Iraque, tocou violão com o cantor country Mike Willis e visitou um resort do Arizona para falar de um programa de remédios para idosos.

Nos três dias subseqüentes à notícia de que as chuvas em Santa Catarina haviam matado mais de 20 pessoas e causado enorme destruição, o presidente Lula participou de uma premiação sobre gestão e recebeu a candidata a presidente do Panamá Balbina Herrera e o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsein Loong, além do presidente da Rússia, Dimitri Medvedev.

No caso de Bush, a sua demora em perceber a extensão do drama custou-lhe dígitos de popularidade que fariam falta mais adiante. No caso de Lula, que só ontem foi ao local das enchentes, é improvável que o mesmo ocorra, porque a aprovação a ele parece imune a erros cometidos por seu governo. Mas fica a pergunta: tragédias como a de Nova Orleans e a de Santa Catarina não deveriam incomodar um pouco mais aqueles que, goste-se ou não, representam todo um país? Será que é tão difícil alterar a agenda presidencial, cheia de encontros e eventos inúteis, para adaptá-la a circunstâncias realmente urgentes?

Fotos: Efe (Lula) e Casa Branca (Bush)

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