Síria: só a diplomacia basta?

Marcos Guterman

17 de outubro de 2011 | 17h43

O banho de sangue continua na Síria. Desde março, o regime já matou 3.000 pessoas, entre as quais 187 crianças, sem falar das prisões arbitrárias, da tortura e do desaparecimento de dissidentes.

Enquanto isso, debate-se na ONU de que maneira se pode fazer com que Damasco interrompa o massacre. Brasil, Índia e África do Sul lideram um bloco que tem sistematicamente impedido a adoção de uma resolução mais dura, com a imposição de sanções contra a Síria. O argumento é que essa resolução seria como “receitar um remédio que piora a doença”, segundo a avaliação do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, em entrevista à Folha. Ou seja: uma resolução com o poder de coerção seria a senha para que a ditadura síria ampliasse a repressão.

A posição brasileira é coerente com seu histórico de apoio irrestrito a soluções diplomáticas. Patriota está certo quando diz que “defender a intervenção militar em si mesma é um debate equivocado”. No entanto, existe uma realidade inescapável: a de que a inação travestida de aposta na “capacidade diplomática” está sendo lida por Damasco como sinal verde para a violência.

“Os líderes da Índia, do Brasil e da África do Sul não deveriam ficar sentados assistindo a Síria implodir”, disse Nadim Houry, vice-diretor da Human Rights Watch para o Oriente Médio. “O esforço deles para o diálogo não conseguiu nenhum resultado, e mais centenas de sírios morreram enquanto isso.”

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