Saramago: qual é a 'revolução' das Farc?

Marcos Guterman

24 de fevereiro de 2009 | 00h00

Convidado pelo jornal colombiano El Espectador a dizer qual mensagem mandaria às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o escritor José Saramago declarou:

“Que, se o seqüestro e a morte são os métodos para mudar a sociedade, as Farc não nos oferecem mais do que o poder tem feito sempre ao longo da história: exercer força contra os fracos. Agir como nas guerras medievais, como em todas as guerras, nas quais morrem os soldados rasos de um lado e do outro e arrasam por onde vão passando, não é nenhum bom sinal de futuro. Com essa base, que garantia de respeito pelo ser humano apresentam? Se no futuro tivessem a capacidade de governar o Estado, fariam isso mantendo o seqüestro e a morte como linha de atuação? Para isso é necessária uma revolução? Não é isso o que o poder faz em tantos lugares do mundo? Não atuam de forma tão criminosa como Bush? Que diferença há entre os seqüestros de Guantánamo, as guerras preventivas contra o Iraque, as torturas em prisões secretas e o que eles fazem? Que um é o Estado e os outros são grupos militarizados? Para os mortos, os seqüestrados e os arrasados, como explicar que um faz terrorismo de Estado e o outro faz terrorismo revolucionário? Eu não consigo”.

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