Robert Mugabe: "O Zimbábue é meu"

Marcos Guterman

20 de dezembro de 2008 | 00h09


Mugabe discursa: notou o bigodinho?

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe – aquele que Chávez chamou de “guerreiro da liberdade”, presenteando-o em 2004 com uma réplica da espada de Bolívar –, resumiu nesta sexta-feira o que o país significa para ele: “O Zimbábue é meu”.

Em meio a uma violenta epidemia de cólera e a uma forte pressão internacional para deixar o poder, Mugabe disse a correligionários que não será intimidado. “Eu nunca, nunca, nunca me renderei”, discursou.

Para Mugabe, o número de mortos pela cólera – mais de mil, segundo a ONU – é “um monte de mentiras”, uma invenção do Ocidente para recolonizar o Zimbábue. “O Zimbábue pertence a nós, e não aos britânicos.”

A epidemia de cólera é apenas a última das más notícias para o Zimbábue, país que atravessa uma catástrofe econômica sem precedentes graças ao “guerreiro da liberdade”. A inflação está na casa do trilhão, e a fome já obriga milhares de zimbabuanos a buscar melhor sorte em outros países.

Mas isso não envergonha Mugabe. Na reunião de seu partido, o presidente e seus 5.000 correligionários puderam degustar 124 bois, 81 cabras e 18 porcos durante os quatro dias do encontro. Isso dá 40 pessoas por boi, sem falar do resto da carne e dos acompanhamentos. O jornalista zimbabuano Geofrey Nyarota diz que já foi a festas de casamento em que dois bois alimentaram 400 convidados, o que dá a dimensão do festim de Mugabe: “Isso é realmente inacreditável, especialmente num país onde milhões de almas empobrecidas estão morrendo de fome”.

Foto: Reuters/Philimon Bulawayo

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