"Quero o divórcio e meu rim de volta"

Marcos Guterman

14 de janeiro de 2009 | 00h59


Doutor Batista: ingratidão

Em 2001, o médico Richard Batista, de Long Island (EUA), doou um de seus rins para sua mulher, Dawnell. Dois anos depois, Batista diz que ela começou a ter um caso com seu terapeuta. Agora, ela quer o divórcio – e ele exige o rim de volta, ou então uma indenização de US$ 1,5 milhão pelo órgão.

Com diz a psiquiatra Sally Satel, “não é difícil ter empatia com Batista”. Diferentemente da grande maioria dos doadores, que se sentem gratificados pela experiência, o médico está acometido de um forte “remorso de doador”. Esse arrependimento, explica Satel, é notado em doadores que esperam algum tipo de recompensa pelo que fizeram – é o “lado ruim do altruísmo”.

O caso de Batista pode abrir precedentes curiosos, que obriguem casais, por exemplo, a fazer acordos pré-nupciais prevendo doação de órgãos. Satel pergunta, com ironia: “Os órgãos humanos devem ser contados como bens maritais, do mesmo modo que as propriedades e as contas bancárias?”.

Foto: NY Daily News

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