Quem quer ser torturador?

Marcos Guterman

21 de dezembro de 2008 | 08h48

Um estudo que será publicado em janeiro pela American Psychologist mostra que a maioria das pessoas é capaz de torturar alguém se for devidamente orientada, se ganhar autoridade ou se receber dinheiro para isso.

No estudo, 70% dos estudantes universitários que participaram da experiência aceitaram dar choques elétricos em pessoas que haviam cometido “erros”, e continuaram a castigá-las mesmo diante de gritos de dor e convulsões. Os “castigados” eram atores.

Os “torturadores”, mostra o experimento, não se constrangem em explicar o que estão fazendo quando questionados por uma terceira pessoa. Também não abandonam a experiência, apesar de poderem fazê-lo a qualquer momento. Ou seja, eles acreditam que estejam fazendo a coisa certa.
O resultado do estudo é semelhante ao da famosa experiência sobre obediência feita em 1961 por Stanley Milgram, em Yale. Ou seja, como diz o El País, o problema não é nem a quantidade de torturadores em potencial; o problema é a constatação de que, em mais de 40 anos, a humanidade não mudou nadinha.

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