Quem liga para o racismo no Oriente Médio?

Marcos Guterman

15 de dezembro de 2009 | 23h19


Negra iraquiana pede esmola em Basra: inferior

Quando se fala em racismo contra os negros, a primeira coisa que vem à cabeça é a violência cometida pelos brancos em sociedades ocidentais. Mas há outro tipo de racismo contra negros, muito antigo e ainda mais violento, e que nem por isso merece a atenção dos movimentos de defesa dos direitos humanos ou da opinião pública “progressista” do Ocidente. Trata-se do preconceito dos árabes contra os negros.

O tráfico transatlântico de escravos, associado à colonização das Américas pelos europeus entre os séculos 14 e 19, é geralmente tido como o paradigma do racismo, a partir do qual todo o imaginário da segregação racial foi construído. Mas o tráfico de escravos feito majoritariamente dentro do mundo islâmico na África e no Índico negociou pelo menos o dobro de negros, e isso só acabou em meados do século 20.

São os descendentes desses negros trazidos pela escravidão que formam minorias perseguidas em países árabes, como Egito, Iraque e Iêmen. No Iraque, como relatou o New York Times recentemente, eles são chamados ainda de “escravos” e o mercado de trabalho lhes nega o direito de realizar mesmo tarefas braçais. A situação desse grupo social, que constitui 10% do total da população iraquiana, é resumida por um defensor dele: “Os negros daqui vivem apavorados”.

Foto: Atef Hassan/Reuters

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