Que “estabilidade” Dilma quer na Tunísia?

Marcos Guterman

17 de janeiro de 2011 | 09h14

Na primeira vez em que teve de se posicionar acerca de algum evento importante no cenário externo, o governo de Dilma Rousseff mostrou-se lamentavelmente fraco e ambíguo.

Em relação à queda da ditadura na Tunísia, depois de irresistíveis pressões populares, o Itamaraty limitou-se a divulgar uma nota em que disse esperar que prevaleça o diálogo “dentro da ordem constitucional”. Na mensagem, o Brasil manifesta o desejo de que a Tunísia “possa retornar, o mais breve possível, à calma e a estabilidade”.

Ora, de que “ordem constitucional” o governo Dilma fala? O de uma ditadura? E a que “estabilidade” o governo brasileiro espera que a Tunísia “retorne”? À estabilidade dos cemitérios?

Compare-se essa declaração com discurso do presidente americano, Barack Obama, acerca do mesmo tema. “Eu condeno e deploro o uso da violência contra cidadãos que estão manifestando pacificamente sua opinião na Tunísia, e eu aplaudo a coragem e a dignidade do povo tunisiano. Peço que todas as partes mantenham a calma e evitem a violência, e peço que o governo tunisiano respeite os direitos humanos e realize eleições livres e limpas num futuro próximo, para refletir as verdadeiras aspirações do povo tunisiano.” Embora em linguagem polida, trata-se de uma inequívoca opção por aqueles que desejam a democracia e a liberdade e arriscam a vida contra a tirania.

É louvável que o Brasil, sob Dilma, queira manter sua tradição de neutralidade ante os conflitos internos em outros países. Mas há ocasiões em que neutralidade pode ser simplesmente a diferença entre a vida e a morte de inocentes.

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