Quanto vale um refugiado iraniano?

Marcos Guterman

09 de junho de 2010 | 14h38

O jornalista iraniano Arash Bahmani escreveu na Foreign Policy um pungente relato sobre a situação dos dissidentes do país que desistiram de tentar mudar alguma coisa no regime tirano dos aiatolás. Após ouvir de um interrogador que ele jamais seria um “ser humano”, isto é, que jamais se ajustaria à doutrina política da República Islâmica, Bahami decidiu sair do país. “E não sou apenas eu. Depois dos protestos contra as eleições de 12 de junho e da repressão do governo, vários iranianos perceberam que não tinham escolha senão deixar o país. Para eles, ficar no Irã significava apenas a garantia de encarceramento, tortura e possivelmente morte nas mãos dos carcereiros, juízes e forças de segurança.”

As opções para fugir do Irã, porém, não são nada animadoras, como relata Bahmani. Como os dissidentes têm seus passaportes confiscados, muitas vezes eles dependem da máfia do tráfico humano que atua entre o Oriente Médio e a Europa. Na Turquia e na Grécia, as condições em que os “clientes” dessas redes são mantidos são pavorosas.

Bahmani optou por fugir pelo Curdistão iraniano e depois pelo iraquiano, numa jornada que merece ser lida, pelo drama e pelas lições que oferece. Aqui, importa enfatizar que, uma vez no Curdistão iraquiano, Bahmani, assim como muitos refugiados iranianos, enfrentou diversas dificuldades e não teve nenhum auxílio internacional. “Infelizmente, o escritório do Alto Comissariado da ONU no Curdistão iraquiano e outros grupos de direitos humanos nos deram ajuda pífia. De fato, esses refugiados não têm nenhum refúgio”.

Apesar disso, não se tem notícia de que grupos humanitários estejam organizando alguma “Flotilha da Liberdade” para ajudar os dissidentes iranianos e constranger o governo do Irã.

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