Por que Israel teme os cabeleireiros de Gaza?

Marcos Guterman

27 de março de 2012 | 23h05

O governo de Israel impediu que cinco cabeleireiros palestinos de Gaza participassem de uma feira de beleza em Tulkarem, Cisjordânia, informa o jornal Haaretz. Os israelenses invocaram questões de segurança – segundo a versão oficial, somente em casos de emergência humanitária os moradores de Gaza podem entrar em Israel. Os cabeleireiros reclamaram de discriminação, dizendo que empresários de Gaza frequentemente são autorizados a fazer o trajeto.

Seja como for, a situação, beira o ridículo – é difícil imaginar como cabeleireiros possam ameaçar a segurança nacional. Isso só reforça a sensação de que Israel pode estar se deixando levar pelas certezas morais e ideológicas de seus atuais dirigentes, incapazes de perceber o isolamento crescente a que estão submetendo o país.

O debate sobre esse isolamento está na ordem do dia em Israel. A recente decisão do governo de boicotar o Conselho de Direitos Humanos da ONU aparece no centro da polêmica. Israel alega, com razão, que o conselho não tem nada a ver com direitos humanos – é um fórum político, integrado por ditadores interessados em desviar a atenção das violações que eles próprias cometem. Israel é alvo frequente de censura do conselho, enquanto a Síria, cuja ditadura está dizimando seu povo, mal é notada. Não dá para levar a sério.

No entanto, simplesmente romper com o conselho parece ter sido uma decisão que resultou menos de reflexão e mais de impulso. Em diplomacia, um comportamento desse tipo é receita certa para o desastre – não devolve às coisas a seus lugares e, pior, dá munição aos que têm usado cinicamente o Conselho de Direitos Humanos como instrumento de propaganda barata.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.