Pobres americanos

Marcos Guterman

14 Setembro 2011 | 17h43

Fizeram manchetes ao redor do mundo os números segundo os quais os EUA atingiram um número recorde de pobres: 46,2 milhões, ou 15,1%. Foi mais um tijolinho na Schadenfreude inspirada pela crise americana – é uma desgraça atrás da outra, para a delícia dos antiamericanos.

No entanto, talvez esses números não possam ser tomados pelo seu valor de face. Como mostra o economista James Sullivan, medir pobreza pela renda distorce o resultado, porque ignora o fato de que boa parte desses “pobres” recebe benefícios que não estão incorporados ao índice. Ignora também que o consumo das classes consideradas “pobres” dos EUA cresceu mais que o das classes médias desde 1989. Desse modo, na opinião de Sullivan e de outros especialistas, a melhor medida de “pobreza” é o consumo. Por esse cálculo, a pobreza relativa nos EUA vem diminuindo, e não aumentando.

Mesmo considerando essa possível distorção, porém, está claro que o esforço para tirar gente da pobreza real tem sido muito maior e mais eficiente na China e no Brasil do que nos EUA, sob qualquer parâmetro. Talvez seja essa a grande lição dos emergentes aos países que durante décadas ditaram ao mundo “em desenvolvimento” as regras sobre como lidar com sua economia.