Parece que Obama realmente não gosta de Bibi

Marcos Guterman

13 de junho de 2012 | 22h53

Que o atual governo dos EUA não gosta do atual governo de Israel, e vice-versa, não é segredo para ninguém. Basta lembrar que, após o primeiro encontro entre o presidente Barack Obama e o premiê Binyamin Netanyahu, o israelense confidenciou a amigos que não ficou particularmente impressionado pelo intelecto do colega americano. Depois, ficou furioso com a insistência de Washington de exigir o congelamento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, dizendo que “Jerusalém não é um assentamento, é nossa capital”. No ano passado, Bibi e a secretária de Estado Hillary Clinton trocaram um violento telefonema, no qual o premiê se queixou do plano americano de endossar um Estado palestino nas “fronteiras anteriores a 1967”.

Mas os sinais de distanciamento parecem mais evidentes, apesar das tradicionais juras de amor e dos panos quentes. Primeiro, Obama já está terminando seu primeiro mandato e, embora já tenha ido a vários países do Oriente Médio e cortejado o mundo árabe e islâmico, ainda não visitou Israel. Agora, os EUA lançaram o Fórum Global de Contraterrorismo, um espaço para que países atingidos por terrorismo possam discutir estratégias conjuntas de combate, e não convidaram Israel – um dos países que mais sofreram com o terror árabe e que só conseguiram interromper a espiral de violência graças a uma combinação de inteligência, reforço de vigilância e a construção de uma barreira para dificultar a entrada de terroristas.

A desculpa da Casa Branca é que os EUA já mantêm contato com Israel a respeito do tema e que outros países que são alvo do terror também não foram convidados. Mas o que se sabe é que a Turquia, que integra o Fórum, não quis a presença de Israel, e a exigência foi atendida pelos EUA.

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