Para que serve a ONU?

Marcos Guterman

04 de fevereiro de 2012 | 17h15

Em fevereiro de 1994, o diplomata americano John Bolton disse que, “se a ONU perdesse dez andares hoje, não faria a menor diferença”, porque “é a mais ineficiente organização intergovernamental que existe”. A declaração casou previsível revolta no mundo diplomático, mas a ONU deu neste sábado uma prova de que talvez Bolton tenha razão.

O Conselho de Segurança rejeitou uma resolução que apoiava o plano da Liga Árabe para negociar o fim dos conflitos na Síria. O texto, que teve apoio de 13 dos 15 integrantes do Conselho, não passou por causa da oposição de China e Rússia ­– dois dos cinco membros permanentes, que têm poder de veto. Ambos alegaram que a resolução feria a “soberania” síria, isto é, impediria que o ditador Bashar Assad continuasse a matar os sírios a uma média de 100 por dia.

O plano árabe demandava a saída de Assad e a realização de eleições. Para a Rússia, a resolução era inaceitável porque não responsabilizava a oposição pela violência e significava “tomar partido em um dos lados da guerra civil” – no caso, o lado que está sendo massacrado.

Para o embaixador da Alemanha na ONU, Peter Wittig, “o Conselho de Segurança deixou de cumprir sua responsabilidade” e “o povo sírio foi abandonado de novo”. “É um triste dia para este Conselho, para a Síria e para todos os amigos da democracia”, disse o embaixador da França, Gerard Araud.

De fato, parece mesmo urgente a reforma do Conselho de Segurança da ONU, não apenas para fazer frente aos EUA, como está implícito na campanha dos países “emergentes” por vagas permanentes, mas também para impedir que Rússia e China continuem a proteger ditadores criminosos.

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