Papa sugere identidade entre ateísmo e nazismo

Marcos Guterman

16 de setembro de 2010 | 18h58

O papa Bento XVI fez um duro ataque ao que chamou de “extremismo ateísta”, durante visita ao Reino Unido. Ele alertou os britânicos sobre o secularismo no país, ao dizer que a “exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública” foi responsável pelas grandes tragédias políticas do século passado.

A esse propósito, o pontífice declarou: “Podemos lembrar como o Reino Unido e seus líderes resistiram à tirania nazista que desejava erradicar Deus da sociedade e negar a humanidade comum a muitos, especialmente aos judeus, que eles consideravam indignos de viver”.

A sugestão de que os nazistas foram movidos por seu suposto ateísmo foi rebatida por britânicos de todos os credos, além, naturalmente, dos ateus e secularistas, relata o Guardian. Para a maioria deles, Bento XVI exagerou.

Além disso, do ponto de vista histórico, a referência a um “ateísmo nazista” é um tanto complicada. Hitler não só não era ateu como se julgava um instrumento de Deus, da Providência. Agiu, segundo suas próprias palavras, “de acordo com o sentido do Criador Todo-Poderoso”, e a perseguição aos judeus nada mais era do que a “luta para preservar o trabalho do Senhor”.

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