Os traidores de Israel

Marcos Guterman

05 de junho de 2012 | 10h00

Há alguns dias, Israel está mergulhado num debate sobre imigrantes africanos, graças à reação racista de alguns parlamentares direitistas e de manifestantes em Tel Aviv a incidentes envolvendo esses refugiados. “Eles são todos infiltrados. Temos de expulsá-los”, defendeu o deputado Danny Danon, do Likud. A deputada Miri Regev, também do Likud, foi mais longe e, num discurso a irados simpatizantes, declarou: “Os sudaneses são o câncer em nosso corpo”.

“Câncer” e “infiltrado” eram alguns dos termos que os nazistas usavam para se referir aos judeus. Essa é a primeira razão pela qual essas expressões não ficam bem na boca de parlamentares judeus, em referência a refugiados. A segunda razão – e talvez a mais importante – é que um Estado judeu não deveria jamais fechar as portas dessa maneira a refugiados estrangeiros, porque esse Estado foi fundado sob a premissa de abrigar gente perseguida. A não ser que alguns israelenses considerem que os negros africanos não são gente.

Todos os países importantes do mundo têm de lidar com a difícil questão da imigração, e a maioria não só não sabe o que fazer como também, em muitos casos, age de forma racista. Ou seja: Israel não é excepcional. Mas isso não serve como desculpa diante do dever moral dos judeus de acolher quem sofre. Como disse o presidente de Israel, Shimon Peres: “O ódio aos estrangeiros contradiz as bases do judaísmo”.

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