Os ricos não são tão maus assim

Marcos Guterman

28 de fevereiro de 2012 | 10h00

Uma série de experimentos divulgada pela Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que pessoas ricas são mais inclinadas que as pobres a mentir para ter vantagem na disputa de prêmios, a enganar em negociações e a burlar a lei ao dirigir, informou a Bloomberg.

Num dos trabalhos, uma jarra com doces foi mostrada a estudantes que desempenharam o papel de “ricos” e de “pobres”. Os pesquisadores lhes disseram que os doces eram para crianças de um laboratório ao lado, mas que eles poderiam pegar alguns, se quisessem. Os estudantes “ricos” pegaram mais doces que os “pobres”.

Segundo os autores dos estudos, algumas pessoas das classes mais altas parecem considerar a cobiça como um valor positivo. Elas seriam mais focadas em si mesmas, colocando sempre os objetivos pessoais em primeiro lugar; já as pessoas pobres, que dependem da comunidade em que vivem, teriam mais preocupação com os padrões de comportamento dessa comunidade.

“Não é que os ricos sejam inerentemente maus, mas quando alguém sobe na vida – seja uma pessoa ou um primata – se torna mais auto-centrado”, explica um dos autores. Segundo ele, porém, nem tudo está perdido: “Pode-se mudar esse comportamento estimulando os ricos a pensar sobre as necessidades dos outros. É o suficiente para melhorar seu altruísmo.” Bill Gates e Warren Buffett que o digam.

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