Os “Papéis Palestinos”: modos de ler

Marcos Guterman

24 de janeiro de 2011 | 18h19

De novo, como tudo o que tem se relacionado ao vazamento de documentos sigilosos nos últimos tempos, a publicação de papéis com detalhes sobre as negociações dos palestinos com Israel, feita no domingo pela Al Jazira, tem tudo para dar em nada – a despeito da histeria com que foi tratada pela emissora catariana e pelo jornal The Guardian.

Os documentos mostram as ofertas feitas pelos palestinos em relação aos assentamentos judaicos na Cisjordânia, aos refugiados e a Jerusalém. Para a Al Jazira, eles mostram que as lideranças palestinas fizeram concessões excessivas e se relacionaram com os israelenses e os americanos de modo “vergonhoso”, nas palavras de Tariq Ali.

A leitura dos documentos, porém, revela poucas novidades capazes de efetivamente comprometer a imagem dos líderes palestinos e de causar algum tipo de golpe contra eles – apesar dos esforços do Hamas.

Pelo contrário: os documentos podem ser lidos como a prova de que Israel exagera ao dizer, como faz há anos, que não há interlocutores com quem negociar do lado palestino. Aparentemente, os interlocutores não só existem como são capazes de fazer concessões importantes.

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