Os nomes e as coisas

Marcos Guterman

28 de setembro de 2009 | 23h39

Finalmente alguém deu às coisas os nomes corretos: o embaixador dos EUA na OEA, Lewis Amselem, disse que a volta de Manuel Zelaya a Honduras sem um prévio acordo foi uma atitude “irresponsável“. O caso todo pode desembocar num banho de sangue – e, como disse Amselem, os países que facilitaram o retorno de Zelaya (leia-se Brasil e Venezuela) terão de se responsabilizar por isso.

O problema todo é que Zelaya transformou a Embaixada do Brasil em bunker, a partir do qual montou um teatro de péssima qualidade – como se fosse o “astro de um filme antigo”, na feliz definição de Amselem. O deposto disse até mesmo que está sendo torturado por “mercenários israelenses“, o que mostra o nível pedestre da encenação.

Zelaya não poderia ter sido destituído da forma como foi, e a pressão internacional por seu restabelecimento é correta, mas o Brasil não pode se deixar usar como palanque para um incendiário – que, de resto, foi defenestrado do poder porque tinha o objetivo de se transformar no Chávez da América Central.

O chanceler Celso Amorim já pediu que Zelaya calasse a boca, mas é perda de tempo, porque ele sabe que só sua estridência manterá o caso em evidência.

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