Os iranianos fizeram sua escolha

Marcos Guterman

13 de junho de 2009 | 01h18

A “onda Obama” não chegou ao Irã. Todo o entusiasmo ocidental em torno de Mir Mousavi, o candidato moderado que desafiou o presidente Mahmoud Ahmadinejad, frustrou-se na abertura das urnas. Os iranianos fizeram sua escolha: por uma maioria acachapante, eles preferiram manter no poder aquele que isolou o país no plano externo, que devastou a economia no plano interno e que tende a radicalizar sua retórica, agora vitaminada por milhões de votos.

O ressentimento com o Ocidente deve ter exercido considerável influência – o fato de Obama ter dito que estava observando “de perto” o desenrolar da eleição pode ter sugerido aos eleitores conservadores uma intolerável intromissão.

A importância da vitória de Ahmadinejad, no entanto, é relativa, já que ele venceu por ser apadrinhado do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em franca campanha para isolar aiatolás críticos como o ex-presidente Ali Rafsanjani, principal patrocinador de Mousavi.

Portanto, embora seja cedo para avaliar quais serão as conseqüências da vitória de Ahmadinejad, já é possível dizer que a campanha teve o mérito de escancarar a disputa intestina pelo poder no regime iraniano, cujos desdobramentos são absolutamente imprevisíveis.

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