Os intolerantes

Marcos Guterman

16 de abril de 2010 | 23h57

O juiz sul-africano Richard Goldstone é o autor do polêmico relatório da ONU que acusou Israel e Hamas de crimes de guerra no recente conflito de Gaza. Por essa razão, embora judeu, ele não é exatamente popular em Israel, e algumas organizações judaicas ao redor do mundo tampouco o têm em alta estima – muitas o consideram um “traidor” e um “herege”. Nada disso, porém, justifica o terrorismo a que Goldstone e sua família estão sendo submetidos, como mostra a notícia segundo a qual o juiz foi constrangido a não comparecer ao bar-mitzvá do próprio neto.

Goldstone tomou a decisão de não acompanhar a cerimônia, que marca a maioridade dos judeus, porque circularam ameaças de que haveria tumulto na sinagoga, em Johannesburgo. Um dos grupos suspeitos é a Federação Sionista Sul-Africana.

Impedir que um avô testemunhe um dos momentos mais importantes da vida de um neto já é algo chocante em si. Fazê-lo por causa de suas opiniões desabonadoras sobre um país – que, de resto, cometeu realmente crimes de guerra – é a prova de que a questão israelo-palestina ultrapassou todos os limites do bom senso.

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