Os gays e a democracia

Marcos Guterman

16 de novembro de 2008 | 00h12


Gays protestam: democracia só é boa quando eu ganho

Os movimentos de defesa dos homossexuais nos EUA parecem ter problemas com a democracia. Em 4 de novembro, os eleitores da Califórnia aprovaram a Proposição 8, que determina que casamento só existe entre homem e mulher, derrubando a decisão judicial que havia legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O resultado deflagrou um processo de histeria nacional, que inclui o constrangimento público daqueles que ajudaram a vitória do “sim” no referendo, mostra a revista Time.

O caso mais flagrante de violência é o AntiGayBlacklist.com. Trata-se literalmente de uma lista negra com todos os nomes dos doadores da campanha do “sim”, que não faz distinção entre gente comum, que deu US$ 1.000, e gigantes empresariais e sociais que doaram acima de US$ 250 mil. Os patrocinadores do tal movimento pedem que ninguém faça negócios com as pessoas da lista, e a revista reporta casos em que o boicote teve efeito. “Qualquer um que entre numa batalha política que signifique retirar os direitos fundamentais de cidadãos está sujeito à crítica”, justificou Evan Wolfson, diretor executivo do grupo Freedom to Marry.

Para os defensores do “sim”, como Frank Schubert, da Yes on Proposition 8, a situação é absurda: “É irônico que pessoas que exigem tolerância e que cobram direitos sejam tão intolerantes com os direitos dos outros”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.