Obama quer fazer história também em Cuba

Marcos Guterman

07 de novembro de 2008 | 00h21

Tão logo esteja instalado na Casa Branca, com mulher, filhas e cachorro, Barack Obama deverá reduzir as duras restrições a viagens de cubano-americanos a Cuba, informa o jornal Miami Herald. Além disso, é provável que ele também facilite o envio de dinheiro para a ilha. Durante a campanha, Obama indicou que deseja se encontrar com Raúl Castro, o que lhe custou duras críticas da direita sobre sua suposta inocência em questões de política externa. “Obama pensa que pode conversar com um ditador e convencê-lo a ser um democrata”, atacou Ninoska Pérez, comentarista cubano-americana conservadora.

Para alguns, as prováveis iniciativas de Obama sinalizam uma disposição de acabar com o embargo a Cuba, que já dura 50 anos e hoje não faz mais nenhum sentido. A equipe de Obama recomendou cautela sobre o assunto, mas não negou essa disposição.

Para Vicki Huddleston, ex-representante dos EUA em Havana, o governo cubano torcia por uma vitória de John McCain. Ela acha que, como Obama vai estimular os contatos entre os dois países, a tendência é que haja um fluxo maior de capital e de informações para Cuba, o que deve tornar os cubanos menos dependentes de seu governo, além de mais esclarecidos sobre o real perfil da ditadura em Cuba. “O governo cubano não é bobo. Essa abertura é uma ameaça maior do que o isolamento.”

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