Obama apoia gays e incendeia campanha

Marcos Guterman

09 de maio de 2012 | 18h34

O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou-se, nesta quarta-feira, favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Foi uma atitude corajosa: metade dos americanos é contra, e muitos dos quais são visceralmente contra – razão pela qual os advogados da causa gay não conseguiram ganhar nenhum referendo sobre o tema no país. Isto é, ao se posicionar tão claramente sobre um assunto tão problemático, Obama aceitou correr riscos eleitorais óbvios – a Fox chegou a dizer que o presidente “declarou guerra ao casamento (heterossexual)”.

Mas Obama está de olho no eleitorado jovem, que o apoiou na primeira eleição e ameaça abandoná-lo, já que a “mudança” prometida na campanha de 2008 e que eletrizou tanta gente está se transformando no velho e bom pragmatismo da Grande Política de Washington.

Por outro lado, Obama tira o foco da economia e joga uma bola espinhosa para o campo de seu adversário na corrida eleitoral, o republicano Mitt Romney, que será obrigado a reafirmar sua oposição ao casamento gay. E ele já o fez: “Quando esse assunto foi levantado no meu Estado, Massachusetts, indiquei meu ponto de vista, que é contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e eu não sou favorável às formas de união civil que sejam idênticas ao casamento, mudando só o nome”.

Certamente o casamento gay não decidirá a eleição americana, mas terá o poder de transformar uma campanha apenas morna em um incêndio de grandes proporções.

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