O voto em Marine Le Pen é racista? Pense de novo

Marcos Guterman

27 de abril de 2012 | 10h00

Muitos comentaristas se apressaram a sugerir que a França está atolada de racistas e islamófobos, depois do primeiro turno da eleição presidencial no qual a candidata da extrema direita, Marine Le Pen, levou quase 20% dos votos. Talvez isso simplesmente não seja verdade.

A Economist argumenta que esse desempenho se deve muito menos a uma eventual inclinação do eleitorado ao discurso contra os imigrantes e os muçulmanos e mais aos efeitos da crise sobre a vida dos trabalhadores comuns. Esses trabalhadores, às voltas com o aperto do cenário recessivo europeu, parecem desgostosos com a política tradicional e, na hora do voto, optaram pelas margens – à direita e à esquerda. É o voto de protesto, e não um posicionamento ideológico.

Como mostra a Economist, Marine Le Pen sofisticou o discurso de seu pai, o raivoso racista Jean-Marie Le Pen, e tornou-se paladina dos trabalhadores. Tanto é assim que o mapa da eleição mostra que ela ganhou votos que antes estavam com os comunistas.

Por esse motivo, mesmo o socialista François Hollande referiu-se aos eleitores de Le Pen como “trabalhadores que não sabem o que o amanhã reserva, aposentados que não conseguem seguir adiante, fazendeiros que temem por suas fazendas e jovens que se perguntam: onde está nosso futuro?”.

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