O silêncio do papa

Marcos Guterman

02 de abril de 2010 | 18h30

Não há palavras para qualificar o que houve nesta sexta-feira no Vaticano.

Na presença do papa Bento XVI, um frade franciscano, por meio de um tortuoso raciocínio, sugeriu que a “perseguição” à Igreja Católica – isto é, o noticiário sobre o escândalo de pedofilia cometida por padres – assemelha-se à perseguição aos judeus. Disse ele que a Igreja está sofrendo “violência coletiva”, algo como o antissemitismo.

Primeiro, o frade tentou usurpar das crianças abusadas por padres criminosos o papel de vítimas que é delas, e somente delas. Como se isso não bastasse, comparou padres criminosos a inocentes massacrados ao longo da história, numa trajetória que culminou no Holocausto. Por último, fala em “violência coletiva” quando, na verdade, o centro do escândalo não é nem a Igreja Católica nem seus milhões de fiéis, mas somente os padres criminosos e aqueles que os acobertam, em horrenda cumplicidade.

O papa ouviu essa pregação lamentável e nada falou. Talvez porque lhe faltassem palavras.

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