O que os cadáveres têm a ensinar

Marcos Guterman

26 de abril de 2009 | 00h00

A tradição chinesa manda que os cadáveres estejam íntegros para as cerimônias fúnebres, por causa da relação com os antepassados, e isso dificulta sua doação para pesquisa. Mas, na faculdade de medicina de Tzu Chi, em Taiwan, há corpos suficientes até mesmo para distribuir a outras escolas. O motivo é curioso: em Tzu Chi, os cadáveres são tratados com respeito religioso, o que convence os familiares dos mortos a doá-los.

Primeiro, os alunos que vão trabalhar nos cadáveres devem conhecer os parentes do falecido e saber detalhes da vida dele. A partir dessas informações, os estudantes montam uma grande homenagem ao morto, que será feita nas dependências da escola, com a presença dos familiares. O cadáver é considerado o “principal professor” dos alunos.

Depois de ser retalhado para ser estudado, o corpo é cuidadosamente suturado e reconstituído para as cerimônias finais e a cremação. Uma parte das cinzas fica em cubos de cristal em exposição na Tzu Chi, para lembrar os estudantes sobre seus “professores”.

“Fui treinado como um cientista, e isso não fazia muito sentido para mim”, disse o professor de anatomia Tseng Guo-fang ao Wall Street Journal. “Mas eu comecei a perceber que há mais a ensinar a um estudante do que apenas a habilidade técnica; temos de criar médicos que tenham compaixão também.”

Abaixo, a reportagem do Journal sobre o assunto.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.