O que o Brasil deveria estar dizendo ao Irã

Marcos Guterman

26 Julho 2010 | 18h39

O governo da Rússia manifestou nesta segunda-feira seu desconforto com o comportamento do Irã a respeito da pressão internacional sobre seu programa nuclear. Moscou acusou Teerã de “retórica infrutífera e irresponsável”, pediu “passos concretos” para resolver a questão e manifestou apoio às sanções dos EUA contra o Irã.

A Rússia tem interesses econômicos de grande envergadura no Irã, infinitas vezes maiores do que os do Brasil. Nem por isso, contudo, o país parece disposto a contemporizar com os iranianos, como faz o governo Lula. Esse paradoxo foi levantado com precisão pelo ex-embaixador do Brasil nos EUA Roberto Abdenur, em artigo na Folha.

“Esses passos em falso – a indevida, quase entusiástica identificação com o Irã, e o voto negativo (a respeito das sanções contra o Irã) – lesionam seriamente a imagem de equilíbrio, objetividade e imparcialidade que tradicionalmente fundamenta nosso pleito por lugar permanente no Conselho de Segurança, a instância decisória suprema em questões de ameaças à paz e à segurança internacionais”, escreveu o diplomata.