O profeta Maomé não pode ser ridicularizado?

Marcos Guterman

28 de abril de 2010 | 00h13

Maomé, disfarçado de urso, em South Park

Maomé, disfarçado de urso, em South Park

 

Já é conhecida a história de que a produtora do seriado South Park alterou um de seus episódios, no qual o profeta Maomé era alvo de uma piada. O motivo do recuo da Comedy Central foi a ameaça de morte feita por radicais muçulmanos. No mesmo episódio, o de número 200, dezenas de outras celebridades foram objeto das brincadeiras ácidas – aí incluídos Jesus, Buda e Moisés. No entanto, somente os muçulmanos se incomodaram.

A reação violenta ocorreu apesar de o South Park ter tomado o cuidado (obviamente irônico) de não retratar Maomé, coisa que o islã proíbe – o profeta aparece disfarçado de urso. No desenho, esse “privilégio” dado ao fundador do islamismo faz o ator Tom Cruise – outra vítima das piadas – perguntar: “Por que o profeta é a única celebridade protegida do ridículo?”. É uma boa pergunta.

Uma boa resposta foi dada por Ross Douthat, colunista do New York Times. Para ele, há receio de explorar os tabus do islamismo – mesmo nos EUA, cuja cultura habitualmente demole tabus – por causa da “ameaça de violência” contra quem ousar fazê-lo.

Render-se a isso, em sua opinião, é aceitar os princípios do totalitarismo e da força bruta. Quando um desenho animado que já fez piadas obscenas até com Deus teme esculhambar o profeta de uma religião, algo não vai bem.

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