O prejuízo dos Brics na Líbia

Marcos Guterman

23 de agosto de 2011 | 14h25

Pode-se considerar, para todos os efeitos, que Muamar Kadafi não existe mais. Diante disso, começam as especulações sobre o futuro imediato da Líbia, em cujo subterrâneo jaz petróleo da melhor qualidade. Os rebeldes já mandaram avisar que os países da Otan, a aliança militar que os auxiliou na derrubada do ditador líbio, serão “premiados” com os melhores contratos de exploração. Já os países do chamado “Brics” (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que não deram apoio à imposição de sanções contra Kadafi, podem ficar a ver navios.

“Não temos problemas com países ocidentais como Itália, França e Reino Unido”, disse Abdeljalil Mayouf, gerente da companhia líbia de petróleo Arabian Gulf, que financiou os rebeldes. “Mas temos algumas pendências políticas com Rússia, China e Brasil”, afirmou ele ao jornal sul-africano Business Day.

Segundo o diário, há 75 companhias chinesas operando na Líbia, com 36 mil funcionários em 50 projetos. A Rússia tem suas gigantes Gazprom e Tatneft atuando no país. O Brasil está lá com a Petrobrás e a Odebrecht.

“Perdemos a Líbia completamente”, lamentou Aram Shegunts, da Câmara de Comércio Rússia-Líbia. “Nossas companhias vão perder tudo porque a Otan vai impedir que façamos negócios na Líbia.”

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