O “pequeno Berlusconi” que há em cada italiano

Marcos Guterman

11 de novembro de 2010 | 00h15

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, está sob intensa pressão para deixar o cargo, em razão dos escândalos sexuais em que se meteu. O mais recente foi com uma marroquina menor de idade, chamada Ruby e apelidada de “Ladra de Corações”. Presa por roubo de jóias, ela foi solta depois de telefonemas do gabinete do premiê, não sem antes declarar à polícia que participou de uma orgia na casa de Berlusconi por 7.000 euros. Para a Der Spiegel, porém, se o premiê cair não será por causa de sua imoralidade.

A razão, segundo a revista, é simples: Berlusconi não foi eleito por ser um exemplo de retidão moral. Pouca gente discorda da revista Famiglia Cristiana, para quem o premiê, de 74 anos, tem “uma mente doentia”. No entanto, como especulou o psicanalista Sergio Benvenuto, “há um pequeno Berlusconi escondido no cantinho de cada italiano respeitável”. Logo, no fundo, seu comportamento devasso não é objeto de censura – pelo contrário. “O premiê aplica o imperativo categórico dos populistas: nunca diga nada a menos que presuma que a maioria dos eleitores vá concordar secretamente com você”, comenta a Spiegel.

Assim, quando Berlusconi declara que “é melhor gostar de garotinhas do que ser gay”, ele sabe, como diz a revista, que “a maioria das mães italianas concordará com ele”.

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