O mundo maravilhoso de Kim Jong-il

Marcos Guterman

16 Julho 2010 | 00h11

Entrevistas da

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com cerca de 40 norte-coreanos que fugiram nos últimos seis meses mostra um cenário de horror na Coreia do Norte. Há relatos de amputações e outras cirurgias sem anestesia, além da falta de material hospitalar esterilizado e limpo, como seringas e lençóis.

Um jovem conta como teve a perna amputada sem anestesia depois de um acidente de trem: “Cinco enfermeiros seguraram minhas pernas e meus braços para evitar que eu me mexesse. Eu estava com tanta dor que acabei desmaiando”.

Uma mulher de 56 anos relata como teve seu apêndice removido também sem anestesia, que estava em falta no hospital: “A operação levou cerca de uma hora e dez minutos. Eu gritava tanto por causa da dor, pensei que fosse morrer. Eles haviam amarrado minhas mãos e meus pés para evitar que eu me movesse”.

A ditadura norte-coreana se orgulha de dizer que fornece saúde de graça para toda a população. Mas, a julgar pelo relatório da Anistia, essa é mais uma entre tantas mentiras do regime. Um jovem de 19 anos conta: “Na Coreia do Norte, quem não tem dinheiro não recebe tratamento médico adequado. Médicos e enfermeiras tratam melhor quem lhes dá garrafas de bebida ou cigarros”.

Enquanto isso, o governo de Kim Jong-il, chamado de “Querido Líder”, empenha-se em construir um arsenal nuclear e em matar os norte-coreanos de fome, em franco desafio à comunidade internacional. Apenas uns poucos países não se constrangem em ter “relações normais” com a Coreia do Norte. O Brasil é um deles.