O mundo encantado de Zé Dirceu, Fidel e Chávez

Marcos Guterman

26 de fevereiro de 2011 | 16h15

O deputado cassado José Dirceu repetiu, em seu blog, os argumentos de Fidel e de Chávez e acusou os EUA de estarem por trás de uma grande conspiração contra Kadafi, o “amigo e irmão” de Lula.

“Com uma vergonhosa manipulação do noticiário, sustentada pelos meios de comunicação em nível internacional, os EUA buscam respaldar uma invasão e ocupação que pretendem fazer na Líbia, conflagrada pela série de revoltas populares que atingem os países árabes”, escreveu Dirceu.

Enquanto Dirceu, Fidel e Chávez exercitam sua natureza totalitária e brincam de antiamericanismo, sendo aplaudidos por uma claque de militantes que renunciaram voluntariamente à capacidade de pensar, o mundo real busca impedir o massacre da população líbia.

Um grupo de 30 proeminentes intelectuais do mundo árabe e 200 entidades de 18 países árabes publicaram neste sábado manifestos em que exigem dos órgãos diplomáticos multilaterais uma ação imediata para conter Kadafi.

As palavras desse grupo mostram que a urgência de uma intervenção não é parte de uma conspiração americana, mas sim resultado da necessidade premente de interromper um banho de sangue. Dizem eles:

“Não podemos e não iremos ficar parados e testemunhar um ditador brutal exterminar seu próprio povo. Só palavras não vão impedir Kadafi de cometer crimes de guerra contra civis. Manifestações de repulsa não vão impedi-lo de contratar mercenários para matar aqueles que são corajosos o bastante para desafiar sua tirania. Fazemos um apelo aos senhores, como líderes que têm o poder de pôr um fim a esse horror. Seu fracasso em fazê-lo será uma mancha perene no conceito de responsabilidade da liderança mundial e na humanidade em si. (…) Sem uma ação urgente do Conselho de Segurança da ONU, apoiado pela União Europeia, a União Africana e a Liga Árabe, a janela de oportunidade para proteger os civis da ameaça de mais atrocidades vai se fechar. (…) Conclamamos (os chefes de Estado) a demonstrar coragem e liderança decisiva para impedir o que pode ser um dos piores massacres de nossa era”.

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