O jornal impresso em busca de sua importância

Marcos Guterman

10 de setembro de 2009 | 15h29

Muito interessante o debate gerado pela determinação da Folha de S. Paulo de impedir que seus jornalistas utilizem as ferramentas da internet, como blogs e redes sociais, para dar “furos”, isto é, para antecipar informações exclusivas. Diz a direção da Folha que a prioridade desses jornalistas, que “representam a Folha”, deve ser sempre o jornal impresso, que lhes paga o salário e lhes garante o anteparo institucional e o prestígio para obter as informações necessárias para o “furo”. Mas será assim mesmo? É o que pergunta o blog de José Roberto de Toledo, ex-jornalista da Folha:

“Se um jornalista apura uma notícia exclusiva fora do seu horário de trabalho (se é que jornalista tem horário de trabalho no sentido convencional), essa notícia pertence a ele ou ao veículo onde trabalha? Teria sido possível ao jornalista obter esse ‘furo’ sem ter o respaldo institucional e o prestígio do veículo? Ao pagar um salário a um jornalista, o veículo é dono de toda a sua produção intelectual e pode dispor sobre sua veiculação?”

Eu acrescentaria uma quarta pergunta, que na verdade soa mais como constatação: ao limitar o trabalho dos jornalistas da casa na internet, a Folha (aqui entendida como qualquer jornal impresso) não estaria revelando a fragilidade do veículo diante das possibilidades da web? Os próprios políticos e os demais protagonistas públicos no Brasil e no mundo já perceberam que é possível estabelecer comunicação com a massa, por meio das redes sociais, sem precisar passar pelos jornalões. Como fazer com que os jornalões voltem a ser imprescindíveis? Não estaria na hora de alterar as prioridades de produção de notícias da mídia impressa, com vista a atender a uma demanda cada vez maior por informações consistentes e duradouras, ao invés de limitar o trabalho dos jornalistas na internet?

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