O jogo de cena entre os "revolucionários bolivarianos" e os EUA

Marcos Guterman

21 de novembro de 2008 | 00h26


Los Três Amigos: revolução sim, mas com lucro

Bush e Chávez comportam-se como gato e rato. Os discursos de ambos não deixam dúvida sobre a inimizade entre os dois países. Mas isso não passa de jogo de cena quando se trata de fazer negócios, como mostra o El País.

Em agosto deste ano, diz a reportagem do jornal espanhol, a Venezuela vendeu 1,3 milhão de barris de petróleo por dia aos EUA. Esse volume equivale a 72% de todo o petróleo exportado pela Venezuela, e o país converteu-se no segundo maior fornecedor do produto para os americanos. Por outro lado, o consumo de produtos dos EUA na Venezuela não pára de crescer: 26% dos artigos importados consumidos pelos venezuelanos são americanos.

Mas Chávez não é o único “revolucionário bolivariano” a manter uma postura ambígua em relação aos EUA. O nicaragüense Daniel Ortega, por exemplo, diz que os americanos são “neocolonialistas”, como “moscas que ficam no lixo”, e que o dinheiro que a Nicarágua recebe dos EUA é uma “minúcia”. No entanto, ele não abriu mão da cooperação com os EUA, que significa US$ 40 milhões anuais. Além disso, os americanos compram 30% das exportações nicaragüenses.

Evo Morales, outro chavista de carteirinha, também não quer perder os privilégios resultantes das relações com os EUA. Depois de expulsar a agência americana antidrogas do país, diz o jornal espanhol, Morales pediu a Washington que não excluísse a Bolívia do programa dos EUA que dá incentivos comerciais aos países que cooperam na luta contra o narcotráfico.

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