O Irã não é o PMDB

Marcos Guterman

14 Maio 2010 | 17h55

O presidente Lula, que não consegue nem fechar acordo com o PMDB para reforçar a candidatura de Dilma “Mandela” Rousseff, acha que está muito perto de um acerto com o Irã. “Noventa e nove por cento”, para ser mais exato.

Já os adultos estão um pouco mais céticos. Em Moscou, durante a visita de Lula, o presidente russo, Dmitri Medvedev, calculou as chances do brasileiro em 30%. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aproveitou a deixa para ironizar, dizendo que a enorme diferença de perspectiva entre Lula e Medvedev “ilustra o tamanho da montanha que os brasileiros estão tentando escalar”.

O Irã não é o PMDB, claro. Os peemedebistas, como de hábito, estão apenas barganhando e, no final, adotarão o apoio ambíguo de sempre. Já o regime iraniano tem convicções muito firmes e objetivas, contra os EUA, Israel e o resto do Ocidente. Teerã receberá Lula com rapapés e salamaleques que servirão para adular um dos poucos aliados que lhe restaram no mundo; na realidade, porém, o que o Irã está fazendo é explorar o apoio brasileiro para mostrar que não está isolado como as nações responsáveis gostariam e para ganhar tempo. Não há hipótese de colaboração real do Irã, nem mesmo com todo o charme de um dos “líderes mais influentes do mundo”.

Como até as paredes da ONU sabem, só restam as sanções – que, não custa lembrar, fazem parte do arsenal de ações diplomáticas absolutamente legítimas.