O governo sabe o que é felicidade?

Marcos Guterman

11 de abril de 2012 | 10h00

A indústria da felicidade vai bem, obrigado. Como mostra a Economist, essa é uma área a que os economistas estão se dedicando com mais vigor nos últimos tempos, gerando até mesmo um mapa da felicidade mundial, sob os auspícios da ONU. Dinamarca, Noruega, Finlândia e Holanda, apesar do frio, lideram a lista.

Seguindo o exemplo da França e do Reino Unido, o governo americano está financiando uma pesquisa para medir o “bem-estar subjetivo” e pode transformar o dado em algo oficial. O Brasil também trabalha para criar sua “Felicidade Interna Bruta”.

A Economist ironiza o esforço dos economistas: “Pode parecer peculiar que, no momento em que a recessão leva a um substancial aumento da miséria – e, portanto, quando a reputação dos economistas não anda lá tão em alta –, eles estejam tão ocupados criando um novo conjunto de indicadores para debater”.

As perguntas dos diversos questionários elaborados para medir cientificamente a “felicidade” são, de fato, instigantes. Alguns exemplos: “Quão feliz você foi ontem?”; “Tudo considerado, quão satisfeito você está com sua vida como um todo hoje em dia?”; e “Considerando-se todos os elementos, você diria que é muito feliz, bastante feliz, não tão feliz ou nada feliz?”. As respostas, diz a Economist, “dão aos economistas muito o que discutir”.

Mas os economistas se defendem, dizendo que suas pesquisas vão fornecer fórmulas para que “os governos criem condições para que a felicidade floresça”. No entanto, como boa revista liberal que é, a Economist expressa reservas quanto a esse objetivo: “Não está claro se realmente será uma boa ideia concluir que o governo sabe mais que os indivíduos sobre o que é a felicidade e sobre qual a melhor maneira de persegui-la”.

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