O flerte de Obama com o Taleban

Marcos Guterman

09 de março de 2009 | 00h00

O governo americano está acenando com a possibilidade, até alguns meses absolutamente improvável, de negociar com o Taleban, ou pelo menos com alguns integrantes desse grupo fundamentalista islâmico que luta contra os ocidentais no Afeganistão. A idéia passa inclusive por atrair o Irã para o diálogo, já que Teerã tem crescentes investimentos em infra-estrutura em território afegão, com ligações com o Paquistão. Um Afeganistão estável é bom para os negócios iranianos.

Um dos fatores que parecem pesar na guinada americana é a China. Pequim é hoje o maior investidor externo no Afeganistão, e suas relações na região estão cada vez mais fora do controle e da capacidade de compreensão de Washington. Para os americanos, cuja diplomacia sofreu durante anos da cegueira moralista da era Bush, trata-se de uma frenética corrida contra o tempo, para tentar entender as articulações entre chineses, paquistaneses, afegãos e iranianos, além dos sauditas, que parecem se aproximar do Taleban.

Há quem diga, porém, que a China, com sua impressionante máquina de oportunidades econômicas e seu pragmatismo geopolítico, talvez esteja mais bem aparelhada para trazer a paz à região.

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